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Posto, logo existo

Esqueça o famoso “Penso, logo existo” do Descartes. Estamos na era do “Posto, logo existo”! A exposição pessoal parece não ter fim, que seja para conquistar mais fãs, curtidas, comentários e clientes nas redes sociais, seja para sentir-se importante na vida de alguém. E isso em todas as áreas, até mesmo nas “tchurmas” dos espiritualizados, dos coaches, dos professores de yoga e afins (muitas das quais eu participo, logo, não estou me tirando da equação). E aí fica a pergunta: quando e quanto expor da sua vida? Quando é demais? Se somos buscadores de autoconhecimento e desenvolvimento, o que e quando dividir nossa busca?

Eu morei 6 anos nos Estados Unidos e, quando cheguei lá e comecei minha jornada de transformação, fiquei espantada com a honestidade dos grandes mestres espirituais, professores e os famosos do autoconhecimento nas mídias sociais, pois eles expunham suas fragilidades, feridas, “erros”. Autores famosos assumindo serem alcoólatras ou dependentes químicos em recuperação, Oprah Winfrey, a primeira dama da TV americana, relatando o abuso sexual que sofreu quando criança. Wayne Dyer, renomado psicólogo e professor espiritual, descrevendo sua participação em cerimonias de Ayahuasca, que são totalmente ilegais nos EUA. Inicialmente, eu achava tudo estranho, mas sempre me tocava profundamente escutar ou ler a verdade e acordava dentro de mim o respeito pela verdade deles!

postarounao

Ao mesmo tempo, criei um blog em parceria com uma amiga queridahttps://tresnortes.wordpress.com e comecei a escrever e gravar vídeos, pois minha primeira formação é em jornalismo e as palavras tem de sair da minha alma, caso contrário me sinto prisioneira. O que percebi com o blog é que os textos onde eu dividia minhas vivências genuinamente geravam maior impacto na vida das pessoas (constatação feita em e-mails e mensagens pessoais que eu recebia)! Além disso, a aceitação delas a minha vulnerabilidade ia, pouco a pouco, quebrando meus autojulgamentos, minhas barreiras auto-impostas. Eu, então, saquei o positivo de se abrir com honestidade e boa intenção! Hoje com meu novo canal, o Plenessênciahttps://www.facebook.com/plenessencia?ref=aymt_homepage_panel, sigo recebendo o mesmo feedback: quanto mais abro meu coração, mais as pessoas participam!

Com a caminhada do autoconhecimento e esses 2 projetos ficou muito claro que o que a humanidade busca é muito simples: conexão, aceitação, afeto e verdade! Logo, quando eu abro minhas feridas sem pudor ou julgamento, o outro conecta-se com as suas próprias feridas e um alívio imediato nasce da constatação de que não existe nada de anormal nele(a). Eu me aceito, logo, eu crio espaço para o outro aceitar-se! Além disso, nossa sociedade nos aprisiona em padrões de felicidade, perfeição… Quando alguém consegue mostrar-se sem máscaras, sem complexo de perfeição, nos sentimos mais reais, sabemos que está tudo bem!

Mas: alto lá! O perigo mora ao lado e a linha entre o assumir a sua vulnerabilidade com um objetivo de servir e expandir a consciência (sua e dos seus seguidores) e usar o seu ego para contar histórias que chamem a atenção, iludam pessoas e/ou tragam energia/lucro só pra você, é extremamente tênue! Já escrevi diversos textos, posts, e gravei alguns vídeos que nunca foram publicados, graças ao processo de decisão relatado abaixo! Então, confere as dicas e me diga se você adicionaria algo mais nos comentários! Aí vai:

1) Silencie-se e sinta no seu corpo, especialmente no seu coração, se deve postar o que escreveu ou gravou. Feche os olhos, respire fundo. Faça uma pausa de alguns minutinhos. Concentre-se na sensação corporal! Se ela for de conforto, alegria, leveza: grandes chances do seu post ser válido e bacana. Se a sensação for de coração batendo rápido, desconforto, ansiedade, desejo grande de fulano e sicrano verem o post: grandes chances do seu post ser apenas um chamado de atenção (entenda-se, carência); ser um desabafo necessário só pra você; ou um sinal que você precisa de algo (afeto, eliminar a raiva, chorar, etc.) naquele momento – e não dividir esse tipo de energia/mensagem com centenas de pessoas. Se a causa for nobre e justa, a paz vem junto. Se a causa for egocêntrica, sensações e emoções turbulentas virão junto.

2) Mostre para alguém. Muitas vezes eu mandava (às vezes ainda mando) pra minha parceira de blog meus textos e eu super respeitava o feedback dela! Mostre sua criação pra alguém que te conheça bem, tenha bom senso e tenha uma relação de confiança com você!

3) Espere! Deixe o seu post/texto/foto lá por mais um dia ou, ao menos, mais umas 5 horas, ou somente uma hora! Em uma hora tudo pode mudar, inclusive você! Emoções, humores, vem e vão e se você aprender a não se apegar a eles e não reagir sempre de acordo com eles, você e Buda são brothers!!!

4) Pergunte-se de que forma esse post está beneficiando meus amigos, família, clientes, espectadores? E também: Qual é a minha real intenção com esse post? Essas talvez sejam as perguntas mais importantes sempre! Se você respondê-las com honestidade saberá se deve, ou não, publicar algo!

A minha intenção inicial é sempre inspirar, elevar, criar conexão, informar, servir! No entanto, muitas vezes a mente brinca comigo e com todos nós! Na dúvida, sugiro seguir os 4 passos acima! Não significa que você não vai mais errar, mas as suas chances de arrepender-se depois diminuirão consideravelmente! Conte nos comentários se você tem mais alguma dica bacana para esse processo de decisão! Beijo no coração e Namastê!

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